Primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura será lançada no Cariri em 30 de junho
O projeto visa promover atividades de pesquisa-ação, memória e fomento às práticas artísticas.
A primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura será lançada no Cariri no dia 30 de junho. O evento de apresentação da iniciativa será sediado na Lira Nordestina, em Juazeiro do Norte, a partir das 9h. O projeto visa promover atividades de pesquisa-ação, memória e fomento às práticas artísticas.
A escola atuará a partir de quatro metas estratégicas, com o tratamento técnico dos acervos; a oferta de formações, eventos e capacitações; aulas-espetáculo e Café Cordel; e o Projeto DáXilo: moda, inovação e identidade cultural.
Segundo Franka Santos, professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e coordenadora do projeto, entre as atividades previstas estão seminários, colóquios, oficinas, trabalhos de tratamento técnico de acervos documentais e difusão cultural por meio de aulas-espetáculo.
“O objetivo fundamental desse projeto é reativar esses territórios: do cordel, da cantoria e da xilogravura que no nosso estado, e principalmente na nossa região Nordeste, é uma tradição”, explica.
A Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura funcionará sob tutela do Laboratório de Ciência da Informação e Memória (Lacim) da UFCA. Segundo a instituição, as atividades previstas serão executadas entre os meses de junho de 2026 e maio de 2027.
“Essa iniciativa vem para colaborar no sentido de que essas linguagens artísticas da cultura local sejam ressignificadas e mantidas a partir de novos parâmetros, como da economia criativa, do design de moda e, sobretudo, em diálogo permanente com os diversos atores, onde se destaca, na atualidade, uma forte presença das mulheres cantadoras, repentistas, cordelistas e xilógrafas”, pontua Fanka.
Lira Nordestina
A Lira Nordestina, é um dos espaços mais antigos do Brasil na produção de cordel e xilogravura. Entre os anos de 1932 e 1982, funcionou em Juazeiro do Norte como uma editora de cordel, tendo à frente José Bernardo da Silva. Inicialmente, surgiu com o nome “Folhetaria Silva” e somente em 1939 foi chamada de Tipografia São Francisco.
Em 1949, José Bernardo, que estimulou a ilustração das capas de cordel em xilogravura, adquiriu os direitos autorais dos folhetos de João Martins de Athayde, tornando a Tipografia uma das editoras de cordel mais importante do Brasil.
Na década de 1970 com a morte de José Bernardo, Maria de Jesus da Silva Diniz — filha de Bernando — ficou à frente da Tipografia. Em 1980, o espaço passa a denominar-se Lira Nordestina, por sugestão de Patativa do Assaré.
Em 1982, devido à crise econômica, Maria de Jesus vendeu a Lira ao Estado do Ceará que, em 1988 tornou o espaço patrimônio da Universidade Regional do Cariri. Hoje, o espaço ainda resiste e conta com nomes importantes da xilogravura, como do Mestre José Lourenço, que dedica-se à perpetuação da arte.
*Com informações da Dcom/UFCA.
Bruna Santos
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